Comissão aprova financiamento com cláusula sobre direitos humanos

 

19/08/2011 17:17

Comissão aprova financiamento com cláusula sobre direitos humanos

 

Gustavo Lima
Dep. Luiz Couto (PT-PB)
Luiz Couto: violação dos direitos humanos deverá ser confirmada pelo Ministério Público e aceita pelo juiz competente.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias aprovou, na quarta-feira (17), o Projeto de Lei 257/11, do deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), que torna obrigatória a inserção de cláusula protetora de direitos humanos em contratos de financiamentos concedidos por instituições oficiais.

Com essa cláusula, se for constatada violência a direitos fundamentais, praticada no âmbito do empreendimento financiado, o contrato ficará automaticamente suspenso até que se apurem as responsabilidades.

O relator da proposta, deputado Luiz Couto (PT-PB), fez alterações para deixar claro que a violação dos direitos humanos, para efeito da nova lei, será confirmada caso o Ministério Público ofereça denúncia e ela seja aceita pelo juiz competente.

Caso não seja constatada a responsabilidade do mutuário, por ação ou omissão, os repasses pela instituição de financiamento poderão ser retomados. Caso o mutuário seja responsabilizado, no entanto, serão aplicadas as penalidades estipuladas no contrato, inclusive o imediato vencimento da dívida e multa.

Trabalho escravo
Couto acredita que a proposta poderá induzir uma maior proteção e promoção dos direitos humanos por parte de empresas que recorrem a financiamento público para seus empreendimentos. Ele citou os recentes acontecimentos na construção da usina hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia, em que um motim de trabalhadores revelou condições de trabalho degradantes.

Em sua opinião, caso o projeto já fosse lei, o caso poderia ser evitado pelo viés econômico, uma vez que a obra faz parte do PAC, e é financiada com recursos de instituições públicas como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.

Na avaliação do parlamentar, “não é possível mais admitir que os responsáveis por uma atividade econômica que causa prejuízo à vida social continuem a receber os já escassos recursos públicos disponíveis para alavancar o desenvolvimento nacional”.

O autor da proposta lembra que ela vem sendo discutida na Câmara desde 1999. O texto foi apresentado inicialmente pelo ex-deputado Marcos Rollim (PL 1870/99) e posteriormente, por duas vezes, pela deputada licenciada Iriny Lopes (PLs 594/03 e 3175/04). Todos os projetos foram arquivados.

Tramitação
O projeto, que tramita em caráter conclusivo, ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação (inclusive no mérito); e de Constituição e Justiça e de Cidadania (também quanto ao mérito).

 

Reportagem - Marcello Larcher
Edição – Newton Araújo - Foto: Gustavo Lima
Agência Câmara de Notícias
 

Notícias

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário

Regra do CNJ facilita venda de imóvel de herança para pagar inventário Artigo da Resolução 35/2007 permite autorização por escritura pública, desde que o valor seja vinculado às despesas sucessórias Nathalia Costeira 03/07/2026 11:13  03/07/2026 11:14 Famílias que herdam imóveis muitas vezes...

Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem

A conta chega Venda de imóvel em duplicidade obriga a indenizar pelo valor atual do bem 7 de julho de 2026, 13h50 Com relação aos danos morais, a juíza entendeu que situação vivenciada pelo trabalhador rural ultrapassa o mero aborrecimento contratual e fixou a indenização em R$ 15 mil. Prossiga em...

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...